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Do quarto escuro ao Parajasc

  • Foto do escritor: canalfalaatleta
    canalfalaatleta
  • 13 de jun. de 2024
  • 2 min de leitura

Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia de abertura da 17a edição dos Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc) 2024, no início de junho, em Blumenau, foi protagonizado pela então secretária municipal de inclusão da pessoa com deficiência e paradesporto (Seidep) e paratleta de remo, Bruna Daniel. 

 

Em seu discurso, Bruna Daniel, enalteceu o papel do paradesporto em sua trajetória de vida e afirmou que este é um evento que envolve muito mais que competição, ele envolve coragem, confiança, autonomia e amizade. 


Bruna Daniel em seu discurso na abertura do Parajasc 2024 Foto: Bortolotti Produções

 

"Lembro até hoje quando saí de casa, sem minha família, há sete anos para competir: foi no Parajasc, na cidade de Criciúma. Até então após o acidente que sofri, não queria que as pessoas me vissem, pois tinham pena de mim. Eu sentia medo, estava no 'quarto escuro'". 

 

E complementou: "Sabem como eu era chamada? Aquela cadeirante. O Parajasc para mim significou o recomeço, a certeza de que é possível se sentir capaz. Sabe aquela cadeirante, agora a nomenclatura mudou. Sou conhecida como paratleta". 

 

Outro momento muito significativo foi a conversa que tive com a parajudoca Tayla Kuhnen, categoria até 48 Kg (DV - deficiência visual), do município de Rio do Sul. Ao ser questionada sobre a importância do esporte para sua vida ela exclamou: "O esporte abre portas e me faz sentir incluída". 


E o que se viu em Blumenau foram encontros, sorrisos, abraços, alegria, empenho, dedicação, resiliência, confraternização e competição. 

 

A festa do paradesporto de Santa Catarina e o discurso de Bruna e Tayla me fizeram lembrar Platão e o Mito da Caverna. 

 

O Mito da Caverna é uma linguagem simbólica ou uma metáfora, pois o que sai da caverna é a nossa consciência.

 

Por meio do esporte, os paratletas, os dirigentes e demais envolvidos, parafraseando Platão, são  impulsionados a sair da caverna (o quarto escuro para Bruna e o sentimento de pertencimento para Tayla) e chegar à luz: do respeito, da acolhida, do aprendizado, da vivência e da troca.

 

Independentemente de suas características e/ou necessidades, tenham respeitados os seus direitos à educação, saúde, trabalho, esporte, dentre outros. Que a cada dia, possamos criar cada vez mais oportunidades para que mais pessoas possam ser incluídas, não somente no esporte, mas na sociedade. 


Delamare de Oliveira Filho

 

 

 

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Por: Delamare de Oliveira Filho

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