Copa do Mundo Feminina no Brasil: A visão do esporte de quem enxerga o jogo pela linha lateral

O que um dia foi proibido e considerado “inapropriado” para mulheres, hoje toma conta de uma das maiores vitrines do futebol mundial.
Em 2027, o Brasil será sede, pela primeira vez, da Copa do Mundo Feminina da FIFA. Durante o torneio, 32 seleções estarão em território brasileiro em busca do título mundial. Será também a primeira vez que a competição será realizada na América do Sul.
Conhecido mundialmente pela tradição no futebol, o Brasil também carrega uma história importante na competição. A Seleção Brasileira esteve presente em todas as edições da Copa do Mundo Feminina desde a criação do torneio, em 1991. Agora, diante da torcida brasileira, a equipe busca conquistar um título inédito e colocar a tão sonhada primeira estrela na camisa.
Mas a realização de uma Copa do Mundo Feminina em solo brasileiro representa mais do que a disputa pelo troféu. É também o reflexo de uma transformação que vem acontecendo dentro e fora das quatro linhas.
Para a árbitra assistente Neuza Back, que já esteve em duas edições da Copa do Mundo Feminina, a evolução da modalidade é evidente, tanto na qualidade apresentada pelas jogadoras quanto na visibilidade conquistada pelo futebol feminino.
“A evolução é bem notória, tanto com relação à qualidade do futebol que as jogadoras têm apresentado dentro de campo, quanto com relação à visibilidade. Hoje a gente tem o futebol, por exemplo, a nossa primeira divisão sendo transmitida em canal aberto, ou então disponível em várias plataformas. [...] É uma coisa que há um tempo atrás era impensável. Para você acompanhar um jogo de futebol feminino era só se você fosse ao estádio. Então eu vejo que existe uma movimentação em várias áreas, em várias frentes, para melhorar o futebol feminino.”
A cada ano, as mulheres conquistam mais espaço e visibilidade no futebol, mostrando que, sim, lugar de mulher também é dentro das quatro linhas. E a Copa do Mundo de 2027 surge como mais uma oportunidade de fortalecer esse movimento.
Ao receber a competição, o Brasil terá a chance de apresentar ao mundo não apenas a sua paixão pelo futebol, mas também mostrar para as novas gerações que é possível sonhar em ser jogadora, árbitra, treinadora ou ocupar qualquer outra função dentro do esporte.
Para Neuza, a expectativa é de que o Mundial seja marcado pela presença do público e por uma grande celebração do futebol feminino.
“A gente tem acompanhado aí mundo afora como o futebol feminino vem apresentando um futebol mais agradável de se ver, estádios cada vez mais lotados. Então eu espero ver isso, espero ver os estádios cheios, muita torcida, uma festa bonita. O futebol feminino normalmente não tem todo esse confronto, toda essa briga que o futebol masculino apresenta. Ele é mais uma festa.”
A árbitra catarinense também destaca a possibilidade de o Brasil ampliar sua representatividade na arbitragem durante a competição. Nas duas últimas edições da Copa do Mundo Feminina, o país contou com profissionais brasileiras entre as equipes de arbitragem, e novas árbitras seguem no processo de preparação para futuras oportunidades.
“Nós já estivemos presentes nas últimas duas Copas do Mundo e eu espero que talvez esse ano a gente possa ver mais uma equipe de arbitragem. Nós temos outras meninas no processo também. Então pode ser que a gente consiga até ter mais do que uma equipe de arbitragem representando o Brasil e, de repente, até podendo estar em grandes jogos, numa abertura, numa final da competição.”
Jornalista Geórgia Cecatto - Fala Atleta com Elas


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